O Sul Global está sob ataque há vários séculos. Os primeiros povos agredidos foram os originários (indígenas) Latinos que resistiram às invasões. Atualmente, os países buscam defender sua cultura, seus biomas e expressões dos ataques de imperialistas, povo da mercadoria que segue o frenesi do capital, capazes de destruir culturas, biomas e povod apenas para lucrar e acumular riquezas. Essas agressões são globais e locais continuamente, já que a sede de dinheiro é insaciável, assim como a ganância humana.
Mas o que uma cidade do interior do nordeste brasileiro, como Ceará-Mirim, tem haver com as guerras globais na Ucrania, na Palestina e na Venezuela?
Um movimento que seja cultural, social, ambiental e artístico tem o dever de pensar global e local porque suas ações, perspectivas e horizontes são interdependentes. Ou seja, de uma parte, o global depende das ações locais que preservam localmente a cultura, o meio ambiente e as expressões artísticas necessárias para o bem viver de cada indivíduo. Por outra parte, o local depende das ações globais que preservam, de forma macro, as culturas, os biomas e as expressões livres do mundo (artes). Na interseção entre este mundos está a liberdade, a continuidade, a diversidade, a cidadania, a soberania, preservação e a justiça para que existam.
Elevaram a dimensão econômica como mais importante que os biomas, as culturas e as expressões livres do mundo. A vida, que por si só, não gera lucro, e assim é descartada, escravizada e intoxicada. Um bioma preservado, não gera lucro, por isso é desmatada, contaminada e comercializada. As culturas e as artes, que apesar de impulsionarem a economia comunitária, criativa e o turismo, mas por si só não geram lucros ao grande capital, é negada, desvirtuada e banalizada. Mas juntas, as culturas e as artes, formam uma potência de luta enquanto expressões de reivindicação de preservação, de resistência, dos biomas, das culturas e das artes, seja local ou global. É aqui o foco de movimentos locais como o Goto Seco, Hidrocidadania e tantos outros, assim como focam os movimentos globais como o MST, Greenpeace e tantos outros. Somos vários, alinhados num horizonte que almeja a preservação de culturas, biomas e livres expressões.
Não se trata somente de ataque à soberania de um país, o roubo de riquezas, ou sobre um lixo humano como Trump. Se trata de preservarmos a liberdade de expressão, a cidadania, as diversas formas de organização, locais e globais. Se trata de preservar as diversas formas de vida, acima de tudo. Se trata de podermos sermos quem somos em nossas culturas, biomas e expressões. Compartilhamos o mesmo mundo, local ou global, precisamos agir pelo bem maior e todos. Façamos nossa parte localmente e teremos mudanças globalmente. A Força de um indivíduo pode mudar o mundo e quando vários indivíduos lutam por um mesmo objetivo, por diferentes caminhos, se torna a força mais potente que temos diante dos impérios. Estar do lado justo da história da humanidade é lutar por um mundo melhor, onde sejamos livres e com direitos garantidos à cultura, aos biomas e de nos expressarmos.
Em 2026, o Goto Seco trilha 22 anos de ações e presencia mais ataques imperialistas. Continuemos na resistência com a cultura e a arte como agentes de transformação sociocultural na busca de um mundo melhor.


