quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Covid 19 e a Escola Digital - 2020/21


    Ao iniciar a redação deste texto, o meu objetivo era parabenizar os colegas professores, as equipes pedagógicas e os grupos gestores ao mesmo tempo pedir para que não dessem atenção às criticas negativas dirigidas aos trabalhadores da educação. Sempre parte de grupos que fazem oposição política e não sabem separar as situações, e/ou desinformados que não têm a devida consciência da situação. Muitos perguntarão, “e os alunos?” Quanto aos alunos, a estes teria que dedicar um texto a parte, são os que menos entendem esta “parafernália”.

    Um ano difícil o que passamos. As dificuldades, encontradas no cotidiano, foram reforçadas pela pandemia que vem atingir a humanidade de forma violenta.

    A educação no Brasil já vem sofrida ao longo de décadas que fecham séculos em nossa história. Não é a pandemia, causada pelo (covid 19), que trouxe principalmente para a rede estadual e municipal de ensino este momento ainda mais sofrido, não vamos atribuir à crise na educação brasileira ao corona vírus. O vírus, ele vem descortinar os pontos falhos existentes nas políticas públicas (saúde, educação e assistências sociais), a pandemia nos trouxe a dura realidade. É claro que este momento é sentido em todos os segmentos da sociedade, mas o “sistema escolar” brasileiro tem todo um histórico desde o período colonial. No entanto, vamos nos prender ao período republicano e a terceira revolução industrial.

    Se nessa abordagem formos rebuscar o histórico do nosso processo educacional, vamos nos deparar com uma educação dirigida a uma classe social privilegiada. O nosso ensino tem em suas raízes uma base religiosa e depois dos anos 80 do século XX, com o desenvolvimento do letramento no universo pedagógico a exploração por parte na indústria da educação tornando-se parte ativa do capitalismo com apoio das correntes políticas onde poucos avanços beneficiaram o sistema público de ensino. No entanto, não podemos dirigir o descaso com a educação pública somente com as situações do passado e o seu contexto político/social. Agora mesmo em plena pandemia (15/12/2020), o congresso em uma sessão deliberativa semipresencial, aprovou emendas que mexiam com o FUNDEB, e o senado em um momento de pura lucidez retirou trechos do texto que beneficiaria em R$ 16 bi outros segmentos que não eram da escola pública.

    A pandemia levou ao processo de prevenção que por sua vez, através de decreto governamental chega a suspensão das aulas presenciais em nosso estado, assim como em toda a federação. O apoio foi mínimo, dada a real necessidade que ficou para o segmento da educação. Os gestores, equipes pedagógicas, professores ficam a mercê do fator “vai dar certo”, o próprio MEC, não estava preparado para tal situação. O ano inteiro de 2020, cada estado ficou sob a tutela dos governadores e suas políticas.

    Vou procurar focar a minha reflexão na carência de uma estrutura técnica e de um preparo por parte do corpo ativo para o uso das ferramentas do mundo digital, não vou me estender a outras variantes porque é um campo muito fértil para questionamentos este da educação.

    As tecnologias digitais estão inseridas direta ou indiretamente na realidade dos alunos, professores e funcionários das escolas. Assim torna-se relevante inserir essas questões atuais à educação, trazendo novas possibilidade de interação e mediação de conhecimento que podem  dar-se de diversas formas, como ressalta Belloni (2006, p.59).   

    No entanto, nos deparamos com uma dura realidade, o professor encontrou-se em um mundo informatizado onde precisa adaptar-se para lidar com um aluno sem condições de acompanhar aquele novo modelo de ensino (aulas remotas/ensino híbrido) que o transporta para outra realidade em termos de ensino/aprendizagem.

    A CONAE se posiciona em relação ao uso das tecnologias e a influência das TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação), na educação.  As escolas ainda não se mostraram como espaços acolhedores das tecnologias. Ele propõe, nesse sentido uma maior abrangência do suporte estrutural com aceso a internet e laboratórios de informática em boas condições, ressaltando que somente esses recursos não garantem uma completa formação educacional com as TIC (CONAE, 2010).

    Conviver com os avanços da tecnologia faz parte do universo da educação. O problema está nas condições para desenvolver tal prática. A falta de estrutura que atinge professores e alunos.

 “O novo papel do professor esta ligado ao processo de aprimoramento do uso das novas tecnologias, possibilitando aos alunos outros modos de aprender em sala de aula ou fora dela. Assim, o ensino e a aprendizagem podem se concretizar em ambientes de aprendizagem, sejam presenciais ou à distância (EAD)” – (GUIMARÃES, 2007).

    Em determinadas situações vamos encontrar escolas sem salas de vídeos, salas sem equipamentos para uma editoração, sem condições para uma montagem de uma vídeo aula. Escolas sem internet, sem o mínimo de estrutura para auxiliar um aluno que por sua vez está despreparado para receber o que vem a chegar até ele, que tem o mínimo de condições para a situação que se apresenta. Este aluno que vive um contexto social carente ao longo dos anos, sentindo a marca do esquecimento maldoso das políticas sociais da qual faz parte a educação escolar. É esta a dura realidade quando falamos do ensino público e estamos diante de uma realidade como a que enfrentamos nesse momento, ficamos a mercê de situações político/estruturais.

    Imaginem uma escola que funcionam os três turnos, um contingente de 480/500 alunos por turno. Como desenvolver um trabalho de aulas remotas quando vários fatores são negativos. Uma parcela desses alunos, digamos 30%, desenvolve as atividades on line pela Escola Digital (Sigeduc), e plataformas disponíveis, para outra parcela (40%), as atividades são trabalhadas por e-mails com apoio do aplicativo whatsapp e os 30%, restantes trabalham com material impresso pego na escola e devolvido em datas determinadas. O grupo que trabalha com material impresso passa pelo problema da exposição e aglomeração devido aos encontros durante a troca de material.

    Esta é a microparcela da realidade pelo que passa a educação escolar dentro da pandemia. Falo microparcela porque não cheguei a abordar o que realmente vem a ser, a dura realidade existente nas escolas públicas e que também de certa forma alcança um determinado número de escolas de pequeno porte no ensino privado.

    A pandemia vem mostrar o quanto o homem está despreparado, o covid 19, deixa a descoberta outras deficiências da sociedade atingindo em um dos casos os procedimentos desenvolvidos para auxiliar a educação.

    A aplicação da vacina vai acarretar mais um problema ligado a pandemia e a volta às aulas. Sim! Chegou 2021, a vacina não foi aplicada ainda, os jovens não estão contemplados nas primeiras etapas e se o quadro não mudar os professores também. Na realidade, aulas presenciais, possivelmente em julho/agosto - 2021.

    Esta é a realidade pelo que passa a Escola Pública, iniciando a 3ª década do século XXI, e vivenciando os efeitos do covid 19. 


Iaponan Correia Bastos

Prof. História - E.E.IUBM

5ª DIREC – Ceará-Mirim 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Rock é Atitude: A Contribuição Sociopolítica do Rock ao Longo das Décadas - Parte 6/8

O Rock nos anos 2000: o avinagramento do Rock

Pedro Carlos da Rocha Neto

Cirurgião-Dentista

Mestre e Especialista em Patologia Oral e Maxilofacial

 O Rock no início dos anos 2000 foi marcado pela forte mudança temática das suas músicas. Categoricamente, pode-se dizer que os novos estilos de rock que surgiram na década de 1990, diferentes do Grunge e do Britpop, apresentaram enfraquecimento efetivo da identidade contestadora de crítica social e política a partir dos anos 2000, salvo por algumas bandas de Indie Rock e de Rock Underground que guardaram marcas dessa identidade. Isso talvez tenha acontecido devido a falta de motivos para críticas efetivas, como a Segunda Guerra Mundial, a Guerra do Vietnã e a Guerra Fria, que foram duramente repudiadas pela opinião pública e influenciaram, cada uma a seu tempo, a conjuntura sociopolítica mundial das décadas de 1950, 1960, 1970, 1980 e 1990. Quanto a esse contexto, no Brasil a conjuntura sociopolítica era dominada pela truculência e autoritarismo da Ditadura Militar nas décadas de 1960, 1970 e 1980, o que gerou um sentimento de inconformismo e rebeldia na população brasileira. Portanto, esses eventos históricos do século XX suscitaram reações críticas da sociedade mundial, incluindo a brasileira, e o Rock surgiu, se desenvolveu e se ramificou em diversos gêneros como uma verbalização musical dessas críticas.

Sendo assim, o século XX foi um século de muita conturbação mundial, repleto de convulsões sociais que serviram como terreno fértil para o surgimento e consolidação de um estilo musical crítico, racional e reacionário: o Rock. Sob esse aspecto, talvez devido a acomodação do mundo à nova realidade do pós-século XX, a história do Rock no século XXI, até então, tem sido marcada pela mitigação do teor sociopolítico do Rock, o que é acompanhado pela perda de sua popularidade para novos gêneros musicais como o Pop, o Rap, o Hip-Hop, a Música Eletrônica e o Reggae, e até pela sua mistura com esses gêneros. Além disso, o Rock deste novo século, com ajuda dos videoclipes, tem vestido uma roupagem pop de forte apelo comercial para o público jovem, como forma de se manter vivo nas mídias.

Portanto, é nesse contexto que se enquadram os mais novos gêneros de rock dos anos 2000, que, na verdade, surgiram na década de 1990, mas se consolidaram no início dos anos 2000, quais sejam: Pop Punk, marcado pela sonoridade pesada do Punk e do Hardcore, esse estilo é pobre em conteúdo crítico e rico em temáticas adolescentes com um tom sarcástico e humorado; Emocore ou Hardcore Emotivo, marcado por letras de temática claramente adolescente, emotiva e alienada do mundo, esse gênero teve início no fim dos anos 1980, mas se consolidou no início dos anos 2000; Melodic Metal, marcado por músicas cadenciadas e vocalistas com fortes habilidades líricas; e o New Metal (ou Nu Metal), marcado por um discreto conteúdo crítico e muito subjetivismo alienado, esse estilo é caracterizado pela mistura do Heavy Metal com outros gêneros como Rap, Hip-Hop e Música Eletrônica.

Nesse contexto, percebe-se que os mais novos gêneros de rock dos anos 1990 e 2000 diluíram o teor sociopolítico crítico da essência original do Rock ao desenvolverem fortes características pop, o que talvez seja explicado pelo fato de que músicas com críticas sociais e políticas não sejam tão vendáveis como músicas que exploram sentimentos e expõem moda. E, como resultado disso, as músicas das mais recentes bandas de rock têm explorado cada vez mais temáticas subjetivas recheadas de sentimentalismo e rebeldia fútil, e os videoclipes fazem sua parte divulgando o visual das bandas e ditando moda. Sendo assim, essa conjuntura de fatores resultou na formação de uma geração jovem emotiva, sensível e alienada do mundo, que usa calças jeans pretas apertadas, camisas pretas, tênis All Star, piercings, olhos marcados com delineador preto e cabelos com longas franjas caídas sobre os olhos.

Portanto, a forte relação entre o Rock e o movimento pop influenciou a moda e o comportamento das pessoas, principalmente os jovens, no início dos anos 2000, e essa influência é sentida até hoje. Porém, o Rock deste novo século trouxe pouca ou nenhuma influência sociopolítica para o mundo, ao contrário do Rock do século passado, especialmente o das décadas de 1960, 1970 e 1980, que exerceu influência efetiva sobre a opinião pública a respeito do que realmente importa para o desenvolvimento da sociedade, como luta pelos direitos civis de minorias, críticas ao racismo, à homofobia e à xenofobia, críticas ao desemprego e à exploração do trabalhador, críticas às guerras e ao imperialismo, críticas à censura e à repressão, e envolvimento em questões ambientais e humanitárias. 

Algumas bandas gringas que se destacaram no cenário do Rock da segunda metade dos anos 1990 e primeira década dos anos 2000 são:  Coldplay;  Creed;  Simple Plan; Green Day; The Offspring; Blink-182; Fall Out Boy; Yellowcard; Stratovarius;  Blind Guardian; System of a Down; Korn; Slipknot; Linkin Park; Limp Bizkit; Evanescence; The Strokes; The Donnas; The White Stripes; Arctic Monkeys; The Kooks; The Killers; Paramore; Nickelback; Dashboard Confessional; Thirty Seconds to Mars; Panic! At the Disco; My Chemical Romance; e Franz Ferdinand, além de Avril Lavigne.

No caso do Brasil, salvo por algumas exceções garimpáveis, o novo século tem sido desastroso para o conteúdo sociopolítico do Rock, com a formação de bandas que mais se assemelham às Boy Bands pop´s dos anos 1990, de puro conteúdo comercial, com músicas descartáveis e sem nenhum conteúdo racional, apenas emocional. E é nesse contexto que surgiram os seguintes ícones no rock nacional dos anos 2000: Pitty; Agridoce; Cine; Fake Number; Fresno; Gloria; Hevo 84; Lipstick; Mindflow; Nove Mil Anjos; Nx Zero; Pedra Letícia; e Replace.

Portanto, de um modo geral, salvo algumas exceções, e a despeito da sonoridade pesada de muitas músicas, as composições de rock nos anos 2000 assumiram uma essência muito emotiva e comercial, tratando questões existenciais subjetivas com muito sentimentalismo e rebeldia fútil, com pouco ou nenhum conteúdo sociopolítico, o que resultou na formação de uma geração “rebelde sem causa” e alienada dos problemas do mundo.

          Sendo assim, a característica de contribuição sociopolítica, e até antropológica, do Rock para a sociedade se perdeu no século XXI, e dessa maneira o bom vinho que era o Rock se transformou em vinagre.
Fontes:
https://gavetadebaguncas.com.br/rock-nos-anos-2000/
https://brasilescola.uol.com.br/artes/rock.htm
https://pt.wikipedia.org/wiki/Emo#:~:text=Emo%20ou%20emocore%20(ingl%C3%AAs%3A%20%5B,vezes%20letras%20emotivas%20e%20confessionais.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pop_punk#:~:text=Pop%20punk%20%C3%A9%20um%20g%C3%AAnero,m%C3%BAsica%20pop%2C%20em%20graus%20variados.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pop_punk
https://pt.wikipedia.org/wiki/Emo
https://en.wikipedia.org/wiki/Melodic_death_metal
https://pt.wikipedia.org/wiki/Nu_metal
https://www.metropoles.com/colunas-blogs/ilca-maria-estevao/saiba-como-a-moda-acompanhou-o-rock-ao-longo-da-historia
https://www.bandaderocknacional.com.br/rock-anos-2000.php
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pitty
https://www.cesadufs.com.br/ORBI/public/uploadCatalago/14031709012018Literatura_de_Lingua_Inglesa_III_Aula_09.pdf
https://www.metroworldnews.com.br/entretenimento/2019/03/20/sam-fogarino-baterista-interpol-entrevista.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Coldplay
https://pt.wikipedia.org/wiki/Linkin_Park
https://pt.wikipedia.org/wiki/Avril_Lavigne
https://pt.wikipedia.org/wiki/Simple_Plan
https://pt.wikipedia.org/wiki/My_Chemical_Romance
https://pt.wikipedia.org/wiki/Thirty_Seconds_to_Mars
https://pt.wikipedia.org/wiki/Dashboard_Confessional
https://www.vulture.com/2018/02/dashboard-confessionals-chris-carrabba-on-his-emo-legacy.html
https://www.letras.mus.br/blog/bandas-emo/
https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/emo.htm
 
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